Quarta, 14 Dezembro 2016 15:40

Freud - Além do Princípio de Prazer

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Olá PsicoLeitores, hoje trago um pequeno resumo sobre o livro Além do Princípio de Prazer. Eu li e adorei o livro. Nele Freud expressa toda sua genialidade ao nos apresentar a noção de pulsão de morte e compulsão à repetição. Aqui na Resenha de Livros, não procuro passar informações muito detalhadas sobre o livro, apenas quero passar as minhas impressões dos livros que leio e, se possível, instigar em vocês a leitura desses livros. E como primeiro livro escolhi o Além do princípio de Prazer, por Sigmund Schlomo Freud. Vamos para algumas informações técnicas:

 

Autor: Sigmund Freud.

Título: Além do Princípio de Prazer.

Título Original: Jenseits des Lustprinzips.

Ano de Publicação: 2016.

Capa: Ivan Pinheiro Machado.

Editora: L&PM Editores.

 

Em Além do Princípio do Prazer, Freud vai além dos conceitos tradicionais da psicanálise (da época) que considerava o princípio do prazer e o princípio da realidade as únicas forças motrizes do aparelho psíquico. No livro, ele apresenta um questionamento sobre o papel que o princípio do prazer desempenha na psique humana ao analisar os sonhos das neuroses traumáticas, das brincadeiras de seu neto e das transferências na análise. Ele acreditava que o princípio de prazer era, de certo modo, uma forma própria e primária de trabalho do aparelho psíquico porém, sob certas circunstâncias e, evitando um perigo que o rigor de tal princípio geraria no trato com o mundo exterior, "a influência dos impulsos de autoconservação do eu, ele é substituído pelo princípio de realidade, que, sem desistir do propósito de um ganho final de prazer, exige e impõe o adiamento da satisfação, a renúncia a muitas possibilidades para tanto e a tolerância temporária do desprazer no longo desvio que leva ao prazer" (p. 43).

Nos casos analisados, Freud notou que há uma compulsão à repetição das cenas de outrora que sobrepuja o princípio de prazer, logo, esse último princípio não rege todo o funcionamento psíquico: "[...] Na vida psíquica realmente há uma compulsão à repetição que se coloca acima do princípio de prazer" (p. 64).

Em certo ponto do livro Freud questiona sua teoria dos sonhos, onde a função desse último (o sonho) seria a de realizar um desejo. Ele analisou os sonhos que repetem cenas traumáticas e constatou que seria incompatível apenas a função primária da satisfação da forma como havia, outrora, descrito. Logo ele constata que a função seria de desenvolver a angústia retroativamente, onde esta última faltou.

"Aqui seria, portanto, o lugar de admitir pela primeira vez uma exceção à tese de que o sonho é uma realização de desejo" (p. 80).

 

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 Nessa maravilhosa obra, Freud amplia a noção de pulsão ao constatar que a compulsão à repetição é uma característica intrínseca da pulsão; uma busca de um estado anterior da vida, afirmando que "um impulso seria portanto uma pressão, inerente às coisas orgânicas vivas, para restabelecer um estado anterior ao qual essas coisas vivas precisaram renunciar sob a influência de forças perturbadoras externas; seria uma espécie de elasticidade orgânica ou, se quisermos, a expressão da inércia na vida orgânica" (p. 87).

E é com esse plano de fundo que Freud nos apresenta a pulsão de morte. Não mais pulsões de egos e sexuais. A pulsão de morte proposta por ele é uma constante entre vida e morte, e são elas que, nos casos mencionados por ele, assumiriam o controle do aparelho psíquico. Ele evidencia que a pulsão de morte se opõe a pulsão de vida. Enquanto uma exerce pressão no sentido de retorno ao estado inorgânico, a outra responderia em estímulo ao prolongamento da vida, numa tendência à formação de unidades maiores.

Ainda na página 87 Freud relata que a vida tem uma natureza conservadora e é justamente essa a natureza dos impulsos que impelem, obrigam, à repetição. Enquanto outros buscam uma nova configuração da vida e ao progresso.

 

"Se for lícito aceitar como experiência que não admite exceções o fato de que tudo o que é vivo morre - retorna ao inorgânico - por razões internas, somente podemos dizer que a meta de toda vida é a morte e, retrocedendo, que o inanimado estava aí antes das coisas vivas" (p. 90).

É fascinante a forma como Freud aborda os primórdios da vida orgânica e encontra uma síntese clara frente ao aparelho psíquico e sua complexidade. Devo ressaltar que, ao longo do livro, Freud deixa aberta a reflexão crítica e futura melhora de sua teoria; destaca que a especulação seria um objetivo ainda mais além do princípio de prazer. Recomendo e muito esse livro apesar de admitir que há uma certa complexidade em ler obras freudianas.

 

Ler 548 vezes Última modificação em Segunda, 26 Dezembro 2016 10:16
Gabriel M.

Criador do Blog PsicoLógos, discente do Curso de Formação de Psicologo pela Universidade Paulista e um completo apaixonado pelos fenômenos humanos. Acredita na promoção da igualdade através da aceitação das diferenças que tanto nos tornam especiais.

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