Sábado, 04 Março 2017 20:39

Segunda Infância - Desenvolvimento Humano

Escrito por
Avalie este item
(1 Votar)

 

segunda infancia desenvolvimento humano psicologia

 

 Dando continuidade a sequência de artigo sobre o desenvolvimento humano, hoje trarei algumas características sobre A Segunda Infância. No artigo passado falamos sobre A Primeira Infância e Suas Características, recomendo a leitura.

 

Segunda Infância: Dos três anos de idade até os seis.

"As crianças vivem em um mundo de imaginação e sentimentos... Elas aplicam a forma que lhes agrada ao objeto mais insignificante, e veem nele tudo o que desejam ver".
(Adam G. Oehlenschlager, 1857.)

 

 Na segunda infância podemos observar que as crianças crescem mais devagar em comparação com o estágio anterior, porém fazem enormes progressos no desenvolvimento e na coordenação muscular. Há avanços na capacidade de falar, pensar, lembrar, dentre outros.

 

Desenvolvimento Físico e Cognitivo na Segunda Infância:

Você Sabia: Quando as crianças falam sozinhas, elas podem estar tentando resolver algum problema pensando em voz alta?

 

Como já mencionado, durante esse estágio do desenvolvimento a criança tem seu crescimento em menor escala se comparado com a primeira infância mas ainda sim seu crescimento é continuo. Elas crescem e ficam com um aspecto mais magro, perdendo aquela forma característica dos bebês. Há um grande avanço quanto as habilidades motoras: correr, pular, jogar bola, saltitar. São habilidades (ou capacidades) motoras que são muito melhor desempenhadas pela criança.

Importante: Assim como em qualquer período da vida a alimentação da criança deve ser saudável, porque se a alimentação for ruim nesse período, com excesso de açúcar, gordura, etc, a criança poderá desenvolver obesidade que será difícil de se reverter posteriormente.

Na segunda infância a criança pode apresentar alguns distúrbios do sono, como: enurese (urinar, involuntária e repetida na roupa ou na cama), sonambulismo, pesadelos, terror do sono (ou noturno), dificuldades para dormir ou continuar dormindo. Saiba que esses distúrbios são comuns durante esse período e tendem a passar conforme a criança se desenvolve. A compreensão dos pais a respeito do tema pode ajudar e muito a criança a superar essas dificuldades.

 

Saiba Mais: Como ajudar as crianças a irem dormir?

 

Habilidades motoras na Segunda Infância:

  • Três anos de Idade: A criança ainda não é capaz de girar ou parar de repente (ou rapidamente); ela pode saltar uma distância de 35-60 cm; Consegue subir uma escada sem ajuda, alterando os pés.
  • Quatro anos de Idade: Nessa idade espera-se que a criança tenha um maior controle do ato de parar, arrancar e girar; Consegue saltar uma distância de 60-80 cm.
  • Cinco anos de Idade: Possui total controle nas habilidades de girar, arrancar e parar de forma efetiva em jogos; Pode correr e dar saltos à distâncias de 70 a 85-90 cm; Conseguem descer uma escada longa sem ajuda, alterando os pés.

Há uma melhoria nas habilidade motoras finas, assim como nas grossas (já explicadas acima). Uma evidência disso é o desenho da criança, que primeiro começa com formas geométricas irregulares e depois consegue ter maior domínio conseguindo assim desenhar com mais precisão essas formas. Entre os três e quatro anos a criança começa utilizar sua imaginação na elaboração de desenhos, você pode notar alguns objetos do cotidiano dela que normalmente são desenhados numa junção de formas geométricas, disformes ou não. Somente entre os quatro a cinco anos de idade que a criança entra no estágio pictórico do seu desenvolvimento artístico, onde ela expressa melhor seu desenho de forma qualitativa.

Habilidades Motoras Finas: Habilidades físicas que envolvem os pequenos músculos e a coordenação olhos-mãos. Ex: Abotoar uma camisa, desenhar.

Habilidades Motoras Grossas: Essa habilidade também é física e utiliza os grandes músculos, tais como correr e saltar.

 

Desenvolvimento Cognitivo:

Um pouco de abordagem piagetiana: a criança pré-operatória.

Piaget chamava segunda infância de estágio pré-operatório do desenvolvimento cognitivo, "porque as crianças dessa idade ainda não estão preparadas para se envolver em operações mentais lógicas como estarão no estágio operatório-concreto na terceira infância" (Papalia, p. 259). Esse estágio normalmente se da entre os dois anos de idade até os sete anos, nesse período a criança tem uma expansão no uso do pensamento simbólico, que surgiu no estágio sensório-motor.

Estágio pré-operatório: Segundo Piaget, é o segundo maior estágio do desenvolvimento cognitivo, onde o pensamento simbólico se expande.

 

Alguns avanços cognitivos durante a segunda infância: 

  • A criança começa fazer uso de símbolos nesse estágio, não precisam mais estar em contato com o objeto para que possa pensar nele; além de atribuir, ou imaginar, que pessoas e objetos possuem outras características além das que eles realmente têm.
  • Começam perceber que alguns acontecimentos têm causas por consequência de outras ações, ou seja, desenvolve o entendimento de causa e efeito.
  • Desenvolvem a capacidade de classificar: podem organizar pessoas, objetos e eventos em categorias significativas.
  • A criança começa apurar mais seus sentimentos e inicia-se a capacidade de imaginar como os outros podem se sentir, empatia.
  • Conseguem perceber que o fato de mudar superficialmente uma determinada característica não muda as coisas como um tudo
  • Já são capazes de lidar com quantidades, ter noção de unidades e números. Mas ainda não possui um pensamento lógico. 

 

Você sabia: Crianças com amigos imaginários têm melhores habilidades para contar histórias (Papalia, p. 260).

 

Função simbólica: É a capacidade de usar símbolos, são representações mentais para as quais atribuímos significado e sem eles não seriamos capazes de ler mapas, guardar fotos e reconhece-las, comunicarmos verbalmente. Essas representações mentais, ou símbolos, ajudam a criança a pensar e se lembrar de coisas que não se encontram presentes.

Entendimento de causalidade: Possuem uma elaboração de causa-efeito ainda egocêntrica e não são capazes de uma elaboração abstrata quanto a causalidade das coisas; se a criança perceber que venta quando chove, logo, o vento é a causa da chuva ou se chove é porque ventou. Note que não há uma elaboração abstrata, tão pouco uma observação das características outras que influenciam na chuva. Outro exemplo, a criança pode ter certeza que se não lavar as mãos antes de comer ficará doente; isso é verdade absoluta para ela, se há uma causa haverá um efeito; Não entende o "pode acontecer", somente o "vai acontecer se...".

Entendimento de identidade e categorização: Há um entendimento - do contrário acontece na primeira infância, durante o estágio sensório-motor - melhor sobre os objetos, são capazes de entender que se mudamos determinadas características de um objeto  ele continuará sendo o mesmo objeto e não um outro. A categorização nada mais é que a capacidade de identificar similaridades e diferenças. "Um tipo de categorização é a capacidade dela distinguir as coisas vivas das coisas inanimadas" (Papalia, p. 261),ela é capaz de saber que uma pedra não é uma pessoa, a pessoa está "viva" e a pedra não.

Entendimento de números: Aos quatro anos a criança já é capaz de fazer comparações de tamanho e quantidade.

 

 Desenvolvimento da Linguagem:

Nesse período as crianças começam a ter avanços significativos na linguagem, verbal ou não. Após os dois anos de idade a criança começa ter um maior domínio do seu raciocínio, mesmo sendo pouco é o suficiente para que passa aparecer os primeiros pensamentos e ajudar a criança na sua organização interna e, posteriormente, externa. Quando as crianças começam falar podemos notar claramente como elas organização e entendem o mundo.

Por intermédio da Associação Rápida a criança é capaz de guardar novas palavras e seus significados, assim, aumentando o seu vocabulário e a forma como se expressa.

Aproximadamente 5 a 8% das crianças podem apresentar atrasos na fala; mesmo ainda não sabendo ao certo porque tem crianças que começam a falar mais tarde em relação as outras, sabemos que os meninos tem uma maior probabilidade de começar falar tardiamente do que as meninas. No geral, essas crianças, até os sete anos, recuperam todo o tempo perdido e mantem o desenvolvimento normal da linguagem. É durante a segunda infância que as crianças ingressam na fase pré-escolar, aumentam sua perspectiva de mundo e melhoram suas habilidade sociais expandindo assim seu núcleo social.

Associação Rápida: "Processo pelo qual uma criança absorve o significado de uma palavra nova após ouvi-la uma ou duas vezes em uma conversa" (Papalia, p. 272).

 

Desenvolvimento Psicossocial na Segunda Infância:
 "O brincar dá às crianças uma chance de praticar o que estão aprendendo... Elas têm que brincar com o que sabem que é verdadeiro a fim de descobrir mais, e então podem usar o que aprenderam em novas formas de brincar".
(Fref Roger, Mister Rogers Talks with Parents, 1983)

 É durante as idades de três a seis anos que há uma das mais importantes fases do desenvolvimento psicossocial das crianças. Durante esse período há o que chamamos de desenvolvimento da identidade da criança, que é quando ela se pergunta "Quem sou eu no mundo?", com esse desenvolvimento cognitivo a criança começa a aperfeiçoar seu autoconceito - que iniciou lá com os seus primeiros passos -; Harter (1996, p. 207) nos diz que o autoconceito é "uma construção cognitiva, [...] um sistema de representações descritivas e avaliativas sobre a nossa pessoa".

 Outro fator importante do desenvolvimento psicossocial relacionado ao autoconceito da própria criança é sua autoestima.  A autoestima ajuda a criança em seu desenvolvimento psicossocial, em suas emoções, ela estimula a criança a desbravar o desconhecido e a agregar fatores já conhecidos por ela. Uma informação dignia de nota é que até os cinco anos a autoestima da criança pode não estar relacionada com a realidade, dos cinco para os sete anos a autoestima da criança se torna mais realista (com base em percepções mais reais). Em outras palavras: "elas tendem a aceitar o julgamento dos adultos, que geralmente dão um retorno positivo e não crítico e, portanto, podem supervalorizar suas capacidades" (Papalia, p. 285). A aprovação dos pais e um reforço positivo quanto as habilidades das crianças são importantes contribuições para a autoestima da criança.

 

" Aquele armário cheio de troféus pode não ser a melhor coisa para seu filho. A pesquisa sobre autoestima sugere que quando as crianças são elogiadas e recompensadas por tudo o que fazem, independente do desempenho, elas acreditam naquele elogio sem reservas. Quando inevitavelmente elas fracassam em uma tarefa, elas consideram um sinal de que são deficientes" (Papalia, p. 286; Referente: Dweck, 2008).

 

Autoestima: "A autoestima é a parte autoavaliativa do autoconceito, o julgamento que a criança faz sobre seu valor geral. A autoestima baseia-se na crescente capacidade cognitiva da criança de descrever e definir a si própria" (Papalia, p. 285). É o julgamento que um indivíduo faz sobre seu próprio valor pessoal.

 

 Durante a segunda infância, como já mencionado, cresce o leque social da criança, ela começa fazer novas amizades e essas novas aquisições são experiências importantíssimas para o aprendizado, para domínio de suas emoções e desejos; através da brincadeira a criança poderá explorar o mundo a sua volta, conhecerá a si mesma e enfrentará conflitos emocionais próprios dessa fase.

 

Outra característica que falta falar sobre os aspectos psicossociais das crianças, na segunda infância, é sobre sua identidade de gênero. Porém, esse assunto merece uma atenção maior quanto ao desenvolvimento da informação que será passada, logo, estenderia muito o atual artigo. Em breve escreverei um artigo separado sobre a identidade de gênero da criança e postarei aqui o link. Se você gostou desse artigo, ficou com dúvidas ou discorda de alguma informação aqui contida, comente no final da página. Lembre-se de curtir e compartilhar, sua ajuda é importante. Até breve!

Referências:

PAPALIA, E. Diane. FELDMAN, Ruth Duskin. Desenvolvimento Humano. AMGH Editora, 2013.

HARTER, S. Developmental changes in self-understangding across the 5 to 7 shift. In A. J. Sameroff  and M. M. Haith (Eds.), the five to seven year shift: The age of reason and responsibility (p. 207-235). Chicago: University of Chicago Press, 1996.

Ler 1906 vezes Última modificação em Domingo, 05 Março 2017 04:53
Gabriel M.

Criador do Blog PsicoLógos, discente do Curso de Formação de Psicologo pela Universidade Paulista e um completo apaixonado pelos fenômenos humanos. Acredita na promoção da igualdade através da aceitação das diferenças que tanto nos tornam especiais.

www.blogpsicologos.com.br | Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.